Dark Apocrypha
ᚨ ᛚ ᚢ ᚱ — Crônica NordgothArs Magi proibida☾ A Dama Escarlate
A Maldição de Maelyn

Dark Fantasy / Horror Cósmico / Avant Garde

A Maldição de Maelyn

Entre as antigas tribos Nordgoths, a ambição de Ayller Goth rompe o limite da Ars Magi. Um ritual com sangue de Drachen transforma sua filha Maelyn na origem de uma raça abissal — e sua agonia, em uma maldição capaz de atravessar a morte.

“Que o Abismo se abra, e que seu poder me consuma, para que eu me vingue de hoje e para todo sempre!”

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A Magia Proibida

Quando ainda eram os Nordgoths apenas tribos espalhadas pelas ilhas do norte, os Drachen já eram comuns para aqueles humanos, que segundo diz a lenda foram os únicos seres humanos a conviver em paz com as colossais criaturas dos céus e dos mares.

Havia uma tribo próxima à Montanha Krone, que sempre desejou ser a maior tribo dentre todas dos Nordgoths. Pois segundo seu líder Ayller Goth, eles sempre foram os mais fortes e que encaravam desafios maiores.

Ayller tinha 3 esposas: Laera, Martery e Naelle. Naelle era a mais jovem das 3 e mais bonita, com ela Ayller teve 2 filhos, um casal, Taeryr e Maelyn, a menina que tinha alcançado a mocidade um ano antes era tão bonita quanto a mãe, com longos cabelos loiros esbranquiçados e olhos verdes azulados, era esbelta, alta e tinha habilidade de caça e um corpo atlético, muitos queriam casar seus filhos com ela, uma típica Nordgoth pura.

Dentre os pretendentes estava o filho de mesma idade dela, de um líder de uma tribo das planícies, um homem rico e com muitas posses, seu filho também tinha ótima aparência e havia muitas pretendentes, Maelyn pareceu se interessar pelo jovem.

Gothyr era a maior cidade na região, lá estava o Templo Ars Magi, onde os sacerdotes da antiga magia pura se encontravam, em uma pregação pública um dos sacerdotes disse:

Não pratiquem de forma alguma, a magia proibida, pois está no livro Ars Magi Antigo, que o dia que isso acontecer, uma maldição cairá e perdurará para sempre.

A Ars Magi veio segundo os Sacerdotes, de um lugar distante, para além do Sul, de uma cidade do deserto chamada Bavelim, de um povo sábio chamado Kasdim, e que foi trazido de lá pelo povo que traiu, segundo a lenda, o deus deles, esse povo eram os yakovim.

Mas a tribo do leste, como era conhecida a tribo de Ayller, não estava preocupada com o que o sacerdócio dizia:

Aqueles velhos, querem nos privar do poder real que a magia antiga pode nos dar, eu vou criar uma nova geração de guerreiros nessa tribo, usando o sangue puro Nordgoth, com o sangue dos Drachen, em um ritual que nos trará todo o poder daqui adiante.

Depois dessa fala Ayller foi até sua casa e pegou seus dois filhos Maelyn e Taeryr, ele explicou a eles o que tinha que ser feito. Maelyn ficou um pouco desconfortável, mas entendeu, então ele mandou Taeryr ir banhar a irmã e prepará-la para o ritual, enquanto Ayller foi pegar sangue de Drachen em uma casa de feiticeiros próximos à floresta das sombras.

Todas as pessoas da tribo se reuniram em torno da tenda onde Maelyn e Taeryr teriam relações, o sangue Drachen foi passado nos órgãos íntimos de ambos, como mandam os livros da magia proibida, ambos tinham que ser virgens e consanguíneos. Os incensos e velas e os símbolos estavam prontos, às 3:30 da manhã o ritual começou, com os tambores rugindo e as sombras dos irmãos sendo vistas tenda afora, os dois copularam por cerca de 10 minutos. Tudo dentro do ritual tinha sido feito do jeito que o livro pedia, mas Ayller não leu o que tinha que ser feito depois.

No livro dizia que a jovem tinha que se manter intocada até o nascimento da criança e que ela teria que realizar pequenos rituais diários para que tudo desse certo, Ayller não leu e não orientou Maelyn e Taeryr.

Os dois passaram a ter relações com frequência, inclusive convidando outros jovens da tribo, Ayller esqueceu que lidava com sangue de criaturas cujo poder estava além da compreensão de qualquer ser humano, e que as consequências seriam fatais para toda a tribo.

A falsa sensação de que tudo estava bem deu à tribo do leste a esperança de que daqui nove meses (Maelyn estava grávida, mas seria o filho de Taeryr?). Confirmada a gravidez de Maelyn, uma festa foi feita, e toda tribo se entregou em devassidão, e Maelyn mesmo com um mês de gravidez, foi para cama com mais três homens, nenhum deles era Taeryr, que estava na cama com outros dois homens.

A maldição estava lançada, seria manifestada da forma mais cruel de todas.

A Mãe dos Drachennin

Passaram-se nove meses, a tribo estava agitada e as dores do parto vieram a Maelyn, tudo parecia normal, até que o terror tomou conta de todos, 3 criaturas medonhas saíram do ventre de Maelyn, criaturas de escamas escuras e olhos vermelhos, elas eram do tamanho de uma criança de 3 anos, era incrível Maelyn ter parido tais coisas e continuar viva.

As criaturas mataram as parteiras comendo seus pescoços e arrancando suas vísceras, bebiam o sangue e isso os fazia crescer de forma não humana ao ouvir os gritos, Ayller entrou na tenda e viu os monstros e paralisou. Maelyn gritou e pediu ajuda, mas um dos monstros a carregou, ele abriu suas asas negras e a levou.

Ayller tentou impedir, mas com um golpe outro monstro arrancou sua cabeça, arrancou suas vísceras e bebeu seu sangue, então eles saíram e destruíram em fogo, sangue e caos toda a tribo, ninguém sobrou, Taeryr foi despedaçado vivo, as mulheres de Ayller foram estupradas e queimadas vivas pelos seres demoníacos, mas pior recairia sobre Maelyn.

As criaturas levaram Maelyn para uma caverna em uma montanha alta na região leste, não muito longe de onde a tribo de Maelyn ficava, lá as criaturas curaram Maelyn do sangramento.

Maelyn estava assustada e ficou espantada ao ser curada, um dos monstros que nesse momento já mediam mais de 2 metros de altura disse a Maelyn:

Você precisa estar saudável, para ser a mãe de nossa raça.

Maelyn não havia entendido, mas em breve viria a entender da pior forma.

A fumaça do terror na tribo havia chamado atenção de muitas outras tribos, inclusive guerreiros e sacerdotes da cidade Gothyr, eles enviaram cavaleiros e uma expedição com mais de 250 pessoas até a tribo para apurar o que havia acontecido.

Após algumas horas de viagem, a cena de horror, chocou a todos, pedaços de corpos, sangue e corpos queimados, a vila havia sido destruída e ninguém havia sobrevivido.

Que os deuses tenham piedade! Exclamou um dos sacerdotes.

Uma das pessoas das tribos vizinhas que conhecia a família de Maelyn, disse não tê-la encontrado, isso após mais 150 pessoas chegarem ao local e iniciar o sepultamento dos corpos. Um grupamento de 100 guardas foi enviado de Gothyr para procurar Maelyn, sob autoridade dos Sacerdotes e do Alto Sacerdote, os guardas de Nordgoths partiram para a procura.

Enquanto algumas pessoas ainda limpavam a cena da tragédia, junto de alguns guardas, um novo terror se iniciou, dois monstros pousaram, deixando as pessoas aterrorizadas, os guardas atacaram, mas não foram páreos para os seres malignos, foram despedaçados em instantes, pessoas correram e se esconderam, mais de 80 foram mortos, fora os guardas.

Quando alguns retornaram em farrapos a Gothyr, dizendo:

Demônios, demônios, a tribo do leste caiu para demônios!

Isso arrepiou o clero local, que se reuniu imediatamente para tentar entender o ocorrido, cartas foram enviadas para que todas as cidades se protegessem.

Enquanto isso o grupamento de soldados que procurava Maelyn recebeu de um corvo, uma carta do clero, a reação deles foi de pavor.

Temos que achar a garota o mais rápido possível!

O comandante do grupamento deu ordens de seguir rastros de sangue que levavam até a montanha, mas antes mesmo de qualquer atitude, um dos monstros chegou a eles primeiro, os guerreiros lutaram com bravura, cerca de 75 homens foram despedaçados ou queimados vivos, cinco deles fugiram a cavalo e 10 conseguiram machucar a coisa que deu um grito e voou embora ao topo da montanha, o comandante que sobreviveu, viu onde a coisa tinha ido, eles voltaram a pé, dois soldados feridos morreram no caminho, e outros dois estavam por um fio.

Sete dias haviam se passado, desde o pesadelo da tribo do leste, os três monstros olharam para Maelyn que estava em boa saúde, ainda com medo, mas corada e bem alimentada.

A partir de agora, você será a mãe de nossa raça, os drachennin.

Então eles amarraram Maelyn em uma cruz que tinha uma moldura de uma lua crescente e a levantaram e começaram a ter relações sexuais com ela todos os dias, eles usaram uma magia que fazia Maelyn não sentir dor, e também ter prazer, pois cada membro dos drachennin equivalia ao antebraço de Maellyn. Assim, a cada sete dias Maellyn dava à luz a onze drachennin, eram mais sete dias de recuperação e tudo outra vez.

A magia dos drachennin era algo que nenhum humano tinha conhecimento, eles controlavam pensamentos, e faziam as pessoas terem desejos carnais profanos, dessa forma Maellyn ficava consciente e tinha prazer com as relações, ao passo que ela não precisava mais ficar presa na cruz lua.

Mas o corpo de Maellyn não aguentaria por tanto tempo e os drachennin que a essa altura já eram centenas, estavam espalhando o caos por todas as cidades e sabiam que Maellyn não aguentaria muito mais tempo, mesmo com as magias.

Teremos que encontrar outra jovem, ou ampliar o número de gerações por cria. Disse um dos líderes dos drachennin.

Façamos a segunda opção, pois não há na terra ninguém com magia de sangue em seu corpo como ela, todas morreriam durante a relação. Completou outro.

Maellyn estava em seus últimos suspiros, e a magia dos drachennin, que a abandonaram na caverna, havia passado, a dor ia muito além do corpo, ia na alma, a jovem e bela da tribo, hoje era uma maldição.

Que o Abismo se abra, e que seu poder me consuma, para que eu me vingue de hoje e para todo sempre!

Essas foram as últimas palavras de Maellyn, que morreu pregada e levantada na cruz lua, suas mechas loiras caíam sobre o rosto, seu corpo estava nu, seus olhos abertos, e sangue saía dentre suas pernas, ouvidos e boca, era só o começo da Maldição.

A Dama Escarlate

Dias se passaram e um grupamento de soldados seguidos por sacerdotes chegou à caverna, a cena era deplorável, mas algo estava anormal, o corpo de Maellyn estava fresco, e sangue vivo, já faziam duas semanas de sua morte, mas os homens ali não sabiam quanto tempo fazia que ela tinha falecido.

Provavelmente a pobre morreu há pouco. Disse um dos sacerdotes.

A cena dela crucificada na cruz lua, foi fixada na memória e depois na história, eles a removeram, seu corpo estava quente, mesmo sem vida, os homens a vestiram, e os sacerdotes fariam dali sua tumba, uma pequena cerimônia foi feita. Havia cerca de 50 pessoas nesse grupamento, o caos reinava do lado de fora, e reinaria ali.

Quando o sacerdote começou a rezar uma prece aos deuses antigos, a caverna tremeu, todos acharam que eram os drachennin retornando, mas o horror veio quando os olhos de Maellyn se abriram, não eram mais verdes, eram vermelhos.

Voag trae mogulis. (Minha vingança se inicia)

Ninguém daquele grupamento foi encontrado desde então, nem seus corpos, muito menos Maellyn.

Em Gothyr a guerra contra os drachennin era sangrenta, todos os sumos sacerdotes e o Alto Sacerdote, usavam a Ars Magi para repelir os drachennin. Mas eram centenas deles, muito fortes e com poderes incompreendidos. O Alto Sacerdote, Maelor Nordgrim, disse:

Terei de usar a magia do aprisionamento. Disse Maelor.

Você vai precisar de um Drachen para isso, como vamos convencer um drachen a nos ajudar em algo que foi fruto de profanação de magia proibida? Um outro sacerdote indagou.

Todos esses já foram mortos, estamos pagando por algo que não foi nossa decisão. Disse Maelor.

Que os deuses nos ajudem.

Maellor vai até uma grande montanha chamada Altrax, onde um Drachen ancestral habita, os Drachens são criaturas que existem muito antes do mundo ser o que é, e ninguém sabe realmente a função deles, são criaturas com escamas e asas, que vivem nos céus e nos mares, eles entendem o que os humanos fazem e dizem, ou até mesmo pensam. São criaturas colossais e mágicas, ao ver Maellor, o Drachen sopra na rocha fogo negro, que ao ser apagado revela uma mensagem, Maellor anota e sai.

Então ao voltar a Gothyr, ele reuniu mais sacerdotes, explicou o que tinha que ser feito, usou uma magia para levar os drachennin, todos eles, para um só lugar, lá eles chegaram, o céu estava escuro por causa dos inúmeros drachennin, então Maellor iniciou o ritual de aprisionamento, ao dizer a primeira linha o Drachen gigante ancestral que deu a magia a Maellor apareceu, cobriu o céu acima dos drachennin, que tiveram suas forças drenadas pela presença do Drachen.

Maellor seguiu com a magia, um grande portal se abriu na terra abaixo, o grande Drachen então abriu a boca e com uma labareda de fogo negro lançou todos os drachennin no submundo, agora a vingança de Maellyn se iniciaria.

Alguns dizem que Maellyn se tornou a deusa dos drachennin e que como vingança os torturava dia e noite, além de que qualquer mulher que fizesse o pacto, seria levada a uma parte do submundo e seria violada pelo espírito abissal que tomou posse de Maellyn, que ficou conhecida nas lendas como a dama escarlate, pois os lindos cabelos dourados agora eram de um ruivo vivo como sangue.

Maellor foi tido como herói, e seu legado geraria uma casta de Altos Sacerdotes que se perderia com o tempo, isso para os humanos, não para os Drachen.

Fim.

Fim.