Dark Apocrypha
Lenda da Casa BrandenburgOrigem de uma dinastiaSelado em vermelho
Profundezas

Body Horror / Horror Cósmico / Avant Garde

Profundezas

Uma lenda antiga sobre a origem da fortuna dos Brandenburg. Alice desperta nua em um lugar úmido que cheira a sangue e carne queimada, cercada por vultos e por um espelho que devolve uma imagem disforme. Um envelope selado em vermelho traz seu nome completo e versos sobre o caos tartáreo — e o preço de um pedido que ela mesma fez. Um conto sobre corpo, herança e o que uma dinastia esconde em suas raízes.

“Não lembras do que pediste, jovem? Não ofereceste teu sangue e teu corpo? Te darei minha parte, mas antes tu darás o que te compete!”

Conto completo

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Silhueta pálida de uma mulher de cabelos ruivos com a cabeça baixa, ao lado de uma entidade sombria de olhos vermelhos
Alice von Brandenburg und Familie — selo em vermelho

Arquivo recuperado — leitura completa

A Descida

Quando Alice Brandenburg acordou, ela se viu em um lugar estranho, era escuro, úmido, e cheirava a sangue e carne queimada.

Alice se levantou assustada e confusa, sem perceber que estava nua, seus longos cabelos ruivos eram quase a única coisa com cor naquele lugar, sua pele branca e seus olhos verdes, seu perfume doce havia desaparecido totalmente, seria um pesadelo?

Alice só foi perceber sua nudez quando cruzou algo que parecia um espelho, sua imagem disforme a assustou, ela usou as mãos para se cobrir, se sentindo violada e observada pelo que quer que fosse; Alice carregava na palma das mãos o sangue e as marcas… aquilo era consequência.

Ela sentiu que seus pés pisavam em algum tipo de solo pegajoso e úmido, ela preferiu não saber o que era. Ao passar por algo que parecia ser um grande armário negro, uma das portas se abriu, o som fez a jovem gelar… ao se aproximar ela viu um envelope, selado em vermelho, escrito

A Carta

Alice von Brandenburg und Familie.

Por alguns segundos ela se esqueceu do medo, e sua curiosidade que sempre foi sua característica mais forte junto de sua inteligência… ela abriu a carta, o cheiro de incenso draconiano se espalhou, ela conhecia muito bem esse cheiro… as palavras ali a trouxeram de volta para o pesadelo, uma leve brisa gelada fez ela lembrar que ainda estava nua.

“Eis dos Céus perseguindo-os até as orlas / Longe de Deus e celestial ventura / No antro os lançai da punição eterna / Caos tartáreo que, a sorvê-lo prontas / Abre do golfo ardente as vastas fauces.”

O Pacto

Ela largou a carta ao chão e começou a ofegar, ela sentiu que o ar gelado foi sendo alterado para quase um mormaço, foi quando do solo, algo emergiu e começou a subir sobre suas pernas, algo que não dá para descrever, ia serpenteando pelas brancas e jovens pernas de Alice, que tentou correr, mas foi derrubada.

Alice gritou, mas outras daquelas coisas emergiram, e prenderam suas mãos e sua outra perna, a coisa continuava serpenteando, e aquilo tinha apenas um destino, o ventre de Alice. Então uma voz sombria trovejou:

“Não lembras do que pediste, jovem? / Não ofereceste teu sangue e teu corpo? / Te darei minha parte, mas antes tu darás o que te compete!”

Assim que a voz terminou de falar, Alice sentiu dentro dela, aquilo que havia subido desde o chão, aquilo deslizou, seu útero queimou, e depois seu corpo todo, como que em chamas invisíveis. Então a voz clamou:

“Consumado, a partir de agora jovem / Você dará sequência a minha linhagem, e eu te darei / o que tu me pediste”

Alice acordou, era manhã, ela estava em seu quarto, e dali em diante, nasceu uma dinastia.

Fim.